alma devastada.
entre promessas vazias e a dor de não ser escolhida
desabafo de uma alma que amou sozinha até se perder de si mesma.
Toda a felicidade que um dia floresceu em mim hoje se desfaz em dor — uma dor densa, silenciosa, daquelas que não gritam, mas consomem por dentro. A sua falta de consideração não é só ausência de cuidado, é um vazio que ecoa em tudo que eu sinto. E entender, pouco a pouco, que eu não sou — e talvez nunca tenha sido — sua prioridade, dilacera mais do que qualquer palavra poderia explicar.
Eu guardei você nos detalhes. Em cada gesto mínimo, em cada momento que, pra mim, era único. Mas, ironicamente, os seus detalhes têm sido os que mais me ferem.
Eu te coloquei em primeiro lugar. Te dei um espaço que era só seu — na minha vida, nos meus planos, nas minhas conversas com meus pais, meus amigos, com o mundo inteiro. Eu me entreguei inteira, sem reservas. E o que recebo em troca é a sua calma indiferente, como se minha presença nunca tivesse realmente ocupado lugar algum. Talvez nunca tenha ocupado, né?
Existe algo chamado responsabilidade afetiva — e você nunca chegou perto disso. Porque quando alguém enche o outro de palavras, de promessas, de expectativas… e não sustenta nenhuma delas, não é só descuido — é ausência de caráter. É ser uma pessoa antes… e outra completamente diferente depois de decepcionar alguém. E é exatamente isso que eu sinto quando olho pra você: decepção. Uma tristeza pesada, uma angústia que me exaure. Se eu soubesse que chegaria nesse ponto, nesse cansaço emocional que me esgota por completo, eu jamais teria permitido que você entrasse na minha vida.
Todo fim de semana eu me desfaço um pouco mais. Eu me perco, me rasgo por dentro e afundo num lugar tão fundo que só eu conheço. Você não me vê. Nunca vê. Eu tô sempre à margem, sempre em segundo plano… sempre esquecida. Enquanto isso, você segue sua vida como se nada tivesse acontecido. Como se eu não existisse.
E eu me pergunto… isso é um sinal pra eu ir embora? Ou você simplesmente não percebe o que está fazendo comigo? Ou pior… percebe e escolhe não se importar?
Porque dói. Dói de um jeito absurdo. E eu não sei até quando vou suportar ser tratada assim. Você não é único no mundo — existem pessoas que saberiam me valorizar como eu mereço. Mas, no fundo, eu sei que isso também não te afetaria. Qualquer coisa mínima já parece mais importante do que aquilo que eu sinto.
E talvez o mais devastador de tudo… é perceber que, enquanto eu me perdi completamente — deixei de ser quem eu era, apaguei minha essência tentando caber em algo que nunca foi meu — você permaneceu intacto. Como se nada tivesse te atravessado. Como se tudo que vivemos tivesse sido raso… superficial. Um jogo de palavras bonitas que nunca encontraram verdade nas suas atitudes invisíveis.
Até quando isso vai continuar? Até quando eu vou viver essa ilusão de fazer parte da sua vida, quando na realidade eu nunca fiz? Até quando vou aceitar não ser prioridade, enquanto você sempre foi tudo pra mim?
Você fala… fala… fala… mas não faz. E isso não sustenta nada. Porque amor que só existe no discurso é só ilusão bem ensaiada.
E o mais confuso… é que, às vezes, eu tento me culpar. Tento acreditar que o problema sou eu. Mas como pode ser só eu, se isso era pra ser nosso?
No fim… eu só sei que estou cansada. Profundamente cansada de sentir tanto… por alguém que nunca soube sentir de volta.
No silêncio das promessas não cumpridas, descobri que a dor mais lancinante não é a ausência, mas a presença vazia de quem nunca soube ficar — e, aos poucos, fui me desfazendo em migalhas de um amor que só existia em mim.


